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Rumo a uma coordenação de formações operárias de luta de classes contra a Labor Notes (De The International Communist Party, n.69, 2026) |
Nos últimos meses, os camaradas do Partido nos Estados Unidos que intervêm na Class Struggle Action Network (CSAN) continuaram a desenvolver contatos entre operários militantes e formações de oposição atuantes no interior de vários sindicatos estabelecidos nos Estados Unidos. Esse trabalho não se conduziu com base na reforma dos aparatos sindicais existentes por meio de manobras eleitorais ou de fórmulas democratizantes, mas por meio do esforço de pôr em contato uns com os outros os operários organizados em linhas de classe e de promover métodos de luta independentes da colaboração entre operários e patronato, dos métodos burgueses de reforma legal e dos partidos políticos do capital.
Durante o inverno, os camaradas participaram de uma campanha em apoio a um aprendiz de eletricista que sofria represálias no trabalho, negação de adaptações por deficiência e, por fim, inclusão em lista negra num programa de aprendizagem, tudo isso pela ação combinada dos patrões e do aparato sindical. Os militantes tentaram organizar a pressão coletiva contra os patrões e contra os dirigentes sindicais envolvidos, levantando reivindicações não apenas em torno da readmissão, mas contra as práticas de lista negra, contra a colaboração entre dirigentes sindicais e empreiteiras e contra a repressão mais ampla aos operários militantes dentro da própria estrutura sindical. Operários de diferentes sindicatos e ramos foram atraídos para o esforço de solidariedade, e ações coletivas diretas foram organizadas na tentativa de empurrar a luta para além dos estreitos canais jurídicos prescritos pelo aparato sindical.
À medida que a campanha se desenvolvia, concepções legalistas se impuseram cada vez mais em setores do esforço de apoio. Cresceu a pressão para reduzir a luta à busca da readmissão pelos mecanismos do direito do trabalho, abandonando as reivindicações de classe mais amplas que haviam emergido ao longo da campanha. Nós, comunistas, defendemos a necessidade de manter os métodos coletivos de classe e de resistir à redução da luta a um caso jurídico individualizado, mediado pelas mesmas estruturas estatais e sindicais responsáveis, em primeiro lugar, pelo ataque. Embora o aprendiz tenha afinal seguido a via legal e tenha sido depois expulso do sindicato, a campanha produziu, não obstante, consequências importantes. Uma camada de eletricistas sindicalizados militantes do norte da Califórnia, que já vinha tentando organizar uma oposição ao aparato oficial em linhas de luta de classes, procurou-nos após observar os métodos e as posições defendidos ao longo da campanha. Seguiram-se logo discussões sobre a questão sindical, a legalidade sindical e os limites da corrente reformista dominante no movimento operário.
Ao saber que muitos desses operários, ao lado dos camaradas atuantes na CSAN, participariam da conferência da Labor Notes de 2026, em Chicago, avançou-se a proposta de que as discussões caminhassem para a organização de uma intervenção coordenada e de um evento conjunto, reunindo aquelas formações operárias que se distinguem da corrente reformista da esquerda sindical.
Dessas várias discussões e contatos emergiu a proposta, avançada pelos camaradas dentro da CSAN e em seguida adotada pela rede, de organizar um evento conjunto durante a conferência da Labor Notes. Os camaradas assumiram então o trabalho de redigir uma proposta inicial e de abrir discussões com diversas organizações operárias e formações de oposição com as quais o contato vinha se desenvolvendo ao longo do ano anterior, através das intervenções no terreno sindical.
A proposta partia do reconhecimento de que, ainda que fragmentadas e isoladas, pequenas formações operárias organizadas sobre uma base de luta de classes começaram a emergir dentro de vários sindicatos estabelecidos nos Estados Unidos. Embora esses agrupamentos permaneçam desiguais e embrionários, exprimem uma tendência importante: a oposição não apenas a este ou aquele dirigente ligado aos patrões, mas cada vez mais a todo o arcabouço da colaboração entre operários e patronato, da subordinação aos partidos políticos burgueses e da estrutura jurídico-regulamentar por meio da qual os sindicatos de regime disciplinam a luta proletária.
O esforço foi, portanto, concebido não como mais um caucus reformista, nem como a proclamação de uma central sindical rival fabricada de cima, mas como uma tentativa de pôr em contato uns com os outros os elementos avançados dessas lutas e de expô-los a camadas mais amplas de operários militantes, construindo laços e estabelecendo um trabalho conjunto de frente única pela base entre formações operárias militantes, ao mesmo tempo em que se avançam métodos de luta de classes distintos daqueles defendidos pela corrente da esquerda sindical reunida em torno da Labor Notes.
O convite inicial que circulou entre os grupos participantes identificava o meio da Labor Notes como a expressão dominante do reformismo da esquerda sindical nos Estados Unidos: uma corrente que fala a linguagem da militância enquanto permanece confinada ao quadro da legalidade sindical, do regime de relações de trabalho instituído pela NLRA, da política eleitoral burguesa e da ideologia da parceria econômica nacional entre trabalho e capital. Contra esse quadro, a proposta avançava alguns pontos de acordo limitados, mas claros: a afirmação de que a classe operária e a classe patronal não possuem interesses comuns; a oposição à colaboração entre operários e patronato; a independência em relação aos partidos políticos burgueses; a defesa da solidariedade internacional da classe operária; o reconhecimento da greve como indispensável à defesa proletária; e a oposição às restrições legais impostas pelo sistema da NLRA e da Taft-Hartley.
A proposta foi recebida positivamente por várias formações operárias. Desde então, camaradas em nome da CSAN vêm organizando e sediando reuniões de coordenação com representantes do Teamsters Mobilize, do Committee to Organize the Unorganized entre os eletricistas da IBEW, do Transit Workers for a Fighting Union, do Committee for One Fighting Transit Union e do Machinist Reform Action Committee entre os trabalhadores da IAM. Essas reuniões quinzenais serviram de espaço para a discussão de estratégia, de condições de trabalho e da questão sindical. Foram lançados desde então um site e um endereço eletrônico para o esforço, que opera agora publicamente sob o nome For A Fighting Workers Movement. Com uma divulgação apenas mínima, o esforço recebeu rapidamente dezenas de confirmações de presença e de consultas de operários de todo o país.
A coordenação prepara agora um contraevento em Chicago, durante a conferência da Labor Notes, sob o título A Militant Critique of Labor Notes: For A Fighting Workers Movement. O evento contará tanto com participação presencial quanto com presença remota de operários de diferentes regiões, além de uma sessão pública de transmissão em Portland, Oregon. Vários camaradas estarão presentes no local, intervindo tanto na própria Labor Notes quanto no evento independente organizado pela coordenação.
Representantes do esforço foram também procurados por setores da imprensa sindical em busca de entrevistas a respeito das crescentes críticas à corrente da esquerda sindical e dos limites dos sindicatos estabelecidos.
Previsivelmente, no momento em que o esforço se tornou público, atraiu de imediato a hostilidade das camadas da esquerda sindical e colaboracionistas ligadas aos aparatos sindicais existentes. Operários associados aos grupos participantes já sofreram perseguição e tentativas de exclusão. Segundo os relatos, vários militantes ligados à coordenação foram proibidos de participar da própria conferência da Labor Notes, enquanto outros enfrentaram denúncias e campanhas de pressão destinadas a isolá-los de camadas mais amplas de militantes sindicais. Essa reação apenas confirma o papel político da corrente da esquerda sindical. Apresentando-se como oposição militante à direção sindical conservadora e empresarial, ela funciona na prática como a ala esquerda dos sindicatos de regime, procurando conter os operários militantes no quadro do reformismo e sufocar toda tendência que comece a se mover em direção a uma verdadeira independência de classe.
À medida que discussões mais amplas se desenvolveram entre os operários participantes, emergiram também questões mais teóricas e táticas a respeito do movimento sindical e da fase atual da crise capitalista. Nas reuniões recentes, foram preparadas exposições e discussões sobre as posições do Partido a respeito da questão sindical. Reafirmou-se que a questão sindical é histórica e não moral: os sindicatos nasceram da necessidade real da defesa proletária sob o capitalismo, mas, na época imperialista, os organismos sindicais dominantes se integraram progressivamente ao Estado capitalista por meio do direito do trabalho, dos sistemas de mediação, das exigências nacionais de produtividade e da subordinação aos partidos políticos burgueses.
Contra as ilusões reformistas, os camaradas insistiram em que os comunistas devem intervir onde quer que os operários sejam obrigados a se organizar, mantendo ao mesmo tempo completa independência política em relação aos próprios aparatos sindicais. Sublinhou-se que, sob o imperialismo, nenhuma luta econômica séria permanece puramente econômica; toda luta operária importante colide cada vez mais com o próprio Estado capitalista, através de liminares judiciais, de regulamentos trabalhistas, de exigências nacionalistas de produção e dos mecanismos políticos da dominação burguesa. Contra a fragmentação imposta pelo sindicalismo legal, por local de trabalho, por unidade de negociação, por ofício e por nação, pôs-se a ênfase na necessidade de que os operários se organizem pela base, através de comitês de greve, assembleias, coordenação entre locais de trabalho e formas de luta capazes de estender a solidariedade através de setores e de fronteiras, mantendo a independência em relação aos partidos burgueses e à colaboração entre operários e patronato.
O esforço atual permanece limitado e embrionário. Não obstante, o contato crescente entre operários militantes de diferentes setores, e a emergência cada vez maior de discussões colocadas no terreno da independência de classe e não do reformismo sindical, refletem um desenvolvimento importante no período atual de baixa da luta proletária nos Estados Unidos. O esforço é significativo não porque já constitua um movimento de classe mais amplo, mas porque exprime um passo em sua direção, na medida em que pequenos agrupamentos de operários avançados se procuram uns aos outros para além dos limites impostos pelos sindicatos de regime e por seus apêndices da esquerda sindical.